Presidente de associação de auditores da Receita depõe à PF após críticas a investigação
Por: Thaís Barcellos
Fonte: O Globo
O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do
Brasil (Unafisco), Kléber Cabral, irá depor nesta sexta-feira à Polícia Federal (PF)
no âmbito do inquérito que apura suspeitas de vazamentos de dados sigilosos
de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares.
A intimação ocorreu após Cabral criticar a condução do processo pelo ministro
Alexandre de Moraes. O depoimento está marcado para esta sexta-feira e vai
ocorrer por videoconferência.
Nesta quarta-feira, Cabral deu uma série de entrevistas para veículos de imprensa
para dar explicações sobre o caso de Ricardo Mansano de Moraes, um dos
servidores da Receita investigados pela suspeita de acesso a dados fiscais
sigilosos. Ao GLOBO, por exemplo, o presidente da Unafisco disse que as medidas
cautelares determinadas por Moraes, após pedido da Procuradoria-Geral da
República, foram "desproporcionais" e teriam caráter "intimidatório".
Os quatro servidores foram alvo de buscas e apreensões na manhã de terça-feira,
durante o feriado de carnaval. Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do
STF, foram afastados dos seus cargos, passaram a utilizar tornozeleira eletrônica,
tiveram seus passaportes cancelados e estão proibidos de sair de casa no período
noturno.
— A nossa leitura é que tem um certo método, era para dar um falso positivo,
criar um discurso de vítima de que o STF foi atacado — disse. — A nossa
percepção é que o objetivo é intimidatório porque as medidas foram muito
desproporcionais.
Segundo o presidente da Unafisco, o caso do auditor seria um "falso positivo",
porque ele acessou irregularmente as declarações de Maria Carolina Feitosa,
enteada do ministro do STF Gilmar Mendes, mas porque achou que ela era esposa
de um ex-colega. Cabral afirmou que Mansano de Moraes não ultrapassou a tela
inicial e não compartilhou as informações.
— Os sistemas da Receita mostram tudo que a pessoa fez. Não dá para ter dúvida
se olhou, se printou, se mandou imprimir, quantos segundos ficou em cada tela,
tudo isso a Receita guarda e registra para uma futura apuração. Mas existe algum
dado vazado dessa pessoa (Maria Carolina)? Não. Então não tem nada a ver com
essa história — defendeu Cabral.